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Pensamentos, Ideias e Sentimentos.
Há umas semanas, enquanto passava por um daqueles sítios cheios de turistas, fui abordado por um grupo de jovens ingleses — deviam andar pelos vinte e poucos anos. Um deles pediu-me que lhes tirasse uma fotografia com o telemóvel de um do grupo. Coisa simples, pensei.
O detalhe curioso é que, como acontece com muitos jovens hoje em dia, alguns estavam com uns quilos a mais… e outros com bastantes quilos a mais.
Ajeitaram-se como puderam para caber todos na fotografia. Eu, com alguma malícia, demorei mais do que o necessário para tirar a foto. Fiz aquele teatrinho: olhar desconfiado para o ecrã, virar o aparelho, clicar sem efeito… como se estivesse com dificuldades.
“Está tudo bem?”, perguntou um deles, lá do meio.
Esperei uns segundos antes de responder, para dar ênfase.
“Estou à procura do filtro de emagrecimento”, disse, com ar sério.
O grupo explodiu numa gargalhada daquelas boas, sinceras. Alguns até se dobraram de tanto rir. Foi um momento leve, espontâneo, daqueles que nos lembram como o humor tem o poder de juntar pessoas, mesmo que não se conheçam de lado nenhum.
Mas, no meio da boa disposição, surgiu uma voz destoante. Um dos rapazes — que, curiosamente, nem era dos mais anafados — declarou com ar ofendido: “Isso é má educação!”
E pronto, o riso ficou ali a pairar, um pouco embaraçado.
Foi então que fiquei a matutar no assunto. Afinal, será que devemos evitar fazer qualquer comentário com uma pitada de humor, só porque pode haver alguém que se ofenda? Mesmo que o grupo todo tenha percebido a graça e se divertido com ela?
Ou será que vale a pena correr o risco — o risco de provocar gargalhadas, arrancar sorrisos, animar o momento — mesmo sabendo que, por vezes, nem todos irão gostar?
A resposta não é óbvia. Mas a pergunta, essa, continua mais pertinente do que nunca.
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