Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]



Maina Mendes

por Paulo José Martins, em 03.12.22

Um dos meus múltiplos defeitos é ter uma atracção irresistível por livrarias. Há quem o tenha por pastelarias, quinquilharias e outras ninharias. Eu tenho por livrarias. Cada vez que vejo uma tenho de entrar para ver se há algum livro novo ou se algum dos livros que lá esteja me chama atenção.

E foi assim que de visita a Évora, entrei na Bertrand para ver se havia alguma novidade. E de facto, havia várias, mas nos dias de hoje, os livros são quase todos iguais, independentemente de editoras ou autores.

Todos os envolvidos na produçao de um livro querem maximizar as suas vendas, o que faz convergir num único ponto todas as características que deveriam fazer de um livro um objecto único. Sendo assim está cada vez mais difícil de encontrar alguma coisa que seja realmente diferente e inspirador.

Mas de vez em quando aparece algo novo, algo diferente, algo que eu não conhecia nem ouvira falar, algo que surpreendentemente me leve para um mundo novo, para outros universos, outras ideias, outras percepções.

Desta vez ao folhear vários livros que lá existiam, encontrei um livro pequenino da Assírio & Alvim escrito pela autora Maria velho da Costa, chamado:” Maina Mendes.”

O nome Maria Velho da Costa automaticamente sou-me a algo que eu conhecia, mas não sabia de onde. Então com uma rápida pesquisa descobri que Maria Velho da Costa fazia parte das três Marias que escreveram as famosas “Novas Cartas Portuguesas”, que recentemente celebraram os seus cinquenta anos.

Peguei neste pequeno livro, de uma autora que eu conhecia muito, muito à superfície e logo na primeira página ele me arrebatou completamente. O texto possui uma escrita completamente heterodoxa. A autora tem uma capacidade invulgar de manusear a língua portuguesa, de construir metáforas e de nos golpear incessantemente com sensações e sentimentos.

É de facto um livro que, apesar de ser pequeno e ter capítulos curtos, merece toda a nossa atenção. É um livro não para se ler, mas para se ir lendo. Ler, reler, compreender, pesquisar, ir à frente, voltar atrás, entender, mergulhar no livro sem medo da maré profunda que a autora tão sublimemente evoca.

São livros como estes que fazem leitores e bons leitores.

Se tiverem algum livro que vos tenha surpreendido positivamente, deixem a sugestão no comentário.

Autoria e outros dados (tags, etc)


3 comentários

Sem imagem de perfil

Alda gomes a 14.12.2022

Experimente ler Olga katurzuk que ganhou o prémio Nobel, em todos os seu livros tem uma linguagem muito crua mas muito envolvente.diga-nos o que pensa desta autora
Sem imagem de perfil

Anónimo a 24.12.2022

Querem que se saiba os defeitos de alguns!

Como disse: Se tiverem algum livro que vos tenha surpreendido positivamente, deixem a sugestão no comentário.
Você só gosta de ler livros ou também gosta de ler blogues e comenta?
(Pelo menos o seu blogue quer que o leiam e comentem)

Alguns vêm para aqui falar em ler quando sabemos que muitos bloggers são uma imagem da sociedade, são individualistas. Querem que outros leiam e comentem o seu blogue mas não fazem o mesmo no dos outros, acham que são superiores aos outros! E fingem estar preocupados com o mundo.
Imagem de perfil

Paulo José Martins a 26.12.2022

Olá. Tenho muita pena que pense assim. De qualquer forma obrigado pelo seu comentário. Se tiver tempo dê uma vista de olhos na zona de comentários deste post do mês passado : https://paulojosemartins.blogs.sapo.pt/a-lingua-portuguesa-agradece-16138#comentarios. Um bem haja e Boas Festas.

Comentar post



Mais sobre mim

foto do autor


Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.